Photo: In Transit Mirror, by Sankalchand Patel University

Governadores e prefeitos brasileiros, em números expressivos, teimam em brincar de ditadores de aldeia e, alguns desses, aproveitam a crise mundial da saúde para se chafurdarem na lama da corrupção.

Falam grosso com os pequenos comerciantes, aqueles que mais empregam, mas perdem totalmente a coragem ao enfrentarem o crime organizado nos pancadões ou nas festas exclusivas em áreas nobres das cidades. Ou será que alguém acredita que o tráfico se submeteria ao toque de recolher?

Mas, é no trânsito e no transporte, essa imensa vitrine da vida, que os senhores do poder diminuto mostram toda sua hipocrisia. Alguns, de fala mansa e pausada, usando roupas de grife, trabalham e moram em mansões e em nome da vida que não respeitam, e da ciência que não conhecem, decretam a quebradeira geral. Não se importam com a perda do trabalho de pessoas que dependem do que ganham diariamente, para se sustentarem.

O trânsito e o transporte, de responsabilidade do poder público, parecem não estar entre as prioridades desses despóticos de aldeia, que chegam ao cúmulo de encurtar horários de expediente e reduzir a frota de ônibus com o mote “para salvar vidas”.

Na maior cidade brasileira chegou-se ao despautério de transferir o rodízio de veículos para o horário noturno, isto é, compreendido entre 20h00 e 05h00. Disparate, insensatez! Falta do que fazer, ou simples insensabilidade de quem na vida nunca pegou um ônibus para trabalhar.

O transporte público brasileiro, em particular em algumas cidades, oferece sérios riscos de saúde e alguns governantes, por incúria, comprometimento ou pura ignorância, parecem não se importar.

A imensa maioria das pessoas depende desses meios de deslocamento para ir e vir ao trabalho e à escola. Paralisar ou reduzir o número de veículos é uma atrocidade, e manter como nos anos anteriores à pandemia, é um crime de lesa humanidade.

Permitir que os veículos continuem apinhados, como os ônibus, metrôs e trens é um passe livre para a contaminação dos usuários e seus familiares, principalmente para os grupos de risco, isolados em suas casas. Nesse sentido, é importante grifar, que a imensa maioria das famílias brasileiras vive em espaços diminutos, com um, dois ou três cômodos, onde é absolutamente impossível se isolar.

Enquanto isso, alguns governadores, prefeitos e meios de comunicação da velha imprensa, usam das táticas de Goebbels, ministro de propaganda Nazista de Adolf Hitler, usando e abusando de métodos de falseamento do fatos. Repetem mentiras até que virem verdades e escondem pelo silêncio aquilo que todos sabem. Chega-se ao cúmulo de nacionalizarem vacinas que, por ora, apenas são envasadas em Institutos de Pesquisa do Brasil.

Repetir a mentira e esconder a verdade sucessivamente nem sempre dá certo, os tempos mudaram, e a sociedade com acesso crescente à digitalização nas redes sociais já não se deixa enganar.

Agora, o que os contribuintes exigem saber, é onde os governadores colocaram os milhões de reais destinados a montagem de hospitais de campanha, à compra de leitos hospitalares, respiradores, remédios, diferentes insumos e à contratação de profissionais. Afinal, onde foi parar toda essa dinheirama dos hospitais de campanha, inaugurados com pompa e circunstância e  a seguir extintos com num toque de mágica? Tudo isso aconteceu meses atrás, impossível de ser deletado da memória dos pagadores de impostos.

Premidos pela virulência da moléstia, alguns desses administradores públicos, usam o velho ardil do batedor de carteira, que rouba e sai gritando pega ladrão ou, na impossibilidade de tanto, apontam o dedo em riste contra seus adversários denominando-os de genocidas.

Ao criminalizarem, de forma vil, seus adversários políticos estão, na verdade, perdoando os verdadeiros criminosos nazistas que exterminaram milhões de vidas nos campos de concentração. Desconhecem a História, ou pior ainda, querem apagá-la. Tática comum, usada por regimes autoritários de todas as tendências ideológicas.

Aos governantes cabe desenvolver programas permanentes de contenção do virus, protegendo e conscientizando pacificamente a população, sem usar medidas repressivas.

Isso se conquista com medidas eficientes como a vacinação, o uso correto de máscaras, o ato de lavar constantemente às mãos e o uso de álcool gel. Encorajando o distanciamento social, o isolamento dos doentes e dos integrantes de grupos de risco, desestimulando a promoção ou participação em festas ou ajuntamentos de qualquer natureza.

Primordialmente é preciso reorganizar o transporte público, impedir a formação de filas, aumentando drasticamente as frotas e os horários de circulação, exigindo o uso correto das mascáras e disponibilizando álcool gel nas estações e veículos.

Digno considerar que o vírus não tem cor, lado, predileção ou ideologia, assim deve-se evitar fazer uso político ou ideológico da crise mundial de saúde.

De todas as medidas à serem tomadas, a que ultrapassa todos os méritos é a de manter a certeza e a fé na força Divina e Transcendental, que habita o interior de cada um de nós.

José Roberto de Souza Dias, foi diretor do Denatran e coordenador do Programa PARE, Doutor em Ciências Humanas e Mestre em História Econômica pela USP, Doutor Honoris Causa pela Faculdade de Ciências Sociais de Florianópolis – Cesusc, Two Flags Post – Publisher & Editor-in-Chief.

 

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