Se um astronauta fosse para uma estação espacial e por algum motivo perdesse contato com a terra e depois de um breve espaço de tempo voltasse de sua missão, certamente não acreditaria com o que está acontecendo em todo o Planeta.

Primeiro observaria, na própria estratosfera, que algo muito estranho está ocorrendo. O ar está mais límpido e a camada característica de poluição diminuíra como que por encanto.

Os precisos indicadores de qualidade do ar da nave lhe indicariam que ao contrário do que poderia supor, os níveis de poluição apresentavam uma redução sensível de poeira, pó e fuligem.

Indagaria a si próprio como, de uma hora para outra, como em um passe de mágica, a emissão de dióxido de enxofre, relacionada com o uso de combustíveis de origem fóssil, contendo enxofre, tanto em veículos quanto em instalações industriais estaria abaixo da média dos últimos anos.

O mesmo constataria ao observar os níveis de liberação de monóxido de carbono, que são relacionados diretamente com o processo de combustão tanto em fontes móveis, motores à gasolina, diesel ou álcool, quanto em fontes fixas industriais.

Ele não acreditava no que estava acontecendo. New York, a capital do mundo totalmente vazia.  Manhattan, que no espaço se vislumbra como um facho de luz resplandecente, perdera parte de seu brilho.  Nem gente, nem carros, nem ruídos, vez ou outra, apenas a passagem rápida de um veículo de emergência. O mesmo se repete em outros pontos do planeta São Paulo, Rio de Janeiro, Londres, Tóquio, Roma, Madrid, Paris, Florianópolis, Londres, e quase todas outras cidades do mundo, paradas, tristes, lúgubres.

Prédios intactos, o patrimônio material sem nenhum dano, mas nenhum voo risca os céus, as estradas, tão bem visíveis do espaço, com pouco trânsito. Os grandes portos como os de Xangai, China; Cingapura, Cingapura; Shenzhen, China, Hong Kong, China. Busan, Coreia do Sul; Santos, Brasil e Itajaí, Brasil, incomparavelmente parados.

Na medida em que sua nave se aproximava da Terra e se reativavam contatos perdidos, podia observar, através dos monitores, diferentes regiões do nosso planeta. No centro de operações da missão espacial médicos e cientistas constatavam o aumento na pulsação do astronauta.

O chefe da missão resolve lhe enviar uma mensagem: “um vírus, inimigo oculto acaba de atacar a humanidade e todos estão recolhidos em suas casas enquanto heróis anônimos de jaleco, farda, e roupa de limpeza, salvam vidas e aliviam a dor e o sofrimento de vitimas e de seus familiares. Alguns desses heróis correm contra o tempo e tentam encontrar uma arma para derrotar o inimigo invisível, o que pode ser uma vacina ou um remédio, por hora tudo se resume a tratamento paliativo. Entre os nossos soldados que estão no front de batalha nenhum usa toga ou paletó e entra as valentes soldadas nenhuma usa salto alto. Fique tranquilo uma força do bem maior indica que venceremos e tudo passará”.

O astronauta, homem experiente e maduro deixou escapar uma lagrima e pensou: afinal, que força é esta que a todos submete, indistintamente. Abriu o Livro Sagrado que sempre levava a seu lado e leu “Não fiquem com medo, pois estou com vocês; não se apavorem, pois eu sou o seu Deus. Eu lhes dou forças e os ajudo; eu os protejo com a minha forte mão”. Isaías 41:10. Tranquilo, preparou-se para aterrissar em um novo mundo, convicto que tudo está sob controle  e passará…

(*) José Roberto de Souza Dias  – Two Flags Post – Publisher & Editor-in-Chief.