A Radio Jovem Pan de São Paulo é considerada a mais promissora fonte independente de noticias. Hoje a entrevista com o Embaixador Rubens Ricúpero foi uma oportunidade ímpar de se conhecer um pouco mais sobre a crise venezuelana.

Afirmou que agora o Brasil teve uma oportunidade de adotar uma politica mais autônoma sobre o tema. No início foi muito caudatário de um movimento liderado pelo governo Trump, que se baseava no reconhecimento de Juan Guaidó como presidente interino e  que em 24 horas poderia provocar a mudança de todo o quadro institucional daquele País.

Isso tornou a situação mais dramática, podendo até ser adotada soluções radicais, até soluções externas. Aparentemente tais medidas são atraentes, mas de todas as opções seria a de maior risco e que poderia provocar grandes dificuldades.

Esse problema só tem uma solução que é a paciência, o aumento da pressão que já vem sendo feita e a adoção dessas medidas econômicas que pouco à pouco vão estrangulando a economia do País e no bojo disso uma mediação junto ao Maduro, principalmente se viesse das Nações Unidas. Ainda mais se partisse do Secretario Geral, António Guterres, que até agora  se manteve imparcial.

Essa atitude da ONU poderia contar com a ajuda do Brasil para se encontrar um programa de transição, com eleições sob fiscalização internacional.

O Maduro não é uma ditadura tradicional como foi Somoza na Nicarágua ou Fulgêncio Batista em Cuba. É um outro tipo de ditadura, nascida de um movimento revolucionário tradicional com quadro treinados para isso.

Quando maduro tinha 17/18 anos podia ter entrado na universidade, mas optou para ser treinado em Cuba. Por outro lado, tem ao lado, se calcula, uns 40.000 agentes de segurança cubanos.   E os cubanos, como se sabe, podem não ser bons em economia, mas são bons em sobrevivência. Eles estão há 60 anos aí, enterraram Kennedy, Kruschev, e o próprio Fidel. E Cuba permanece na Venezuela, porque tem aquela escola do bolchevismo, que é a conquista e a manutenção do poder à qualquer preço.

A Venezuela não é um regime ditatorial típico que sai no grito. A saída é difícil, mas acredita-se que o Maduro tenha que sair por varias razões. Primeiro por que foi muito incompetente, o país está numa situação de colapso, colapso econômico, colapso de abastecimento, etc. Se ele tivesse alguma competência poderia recuperar  o país, se o preço do petróleo subisse, mas ele já revelou que não sabe governar.

Fora isso, as medidas tomadas pelos USA são muito fortes, até sem precedentes. A administração americana congelou os ativos venezuelanos e está pagando diretamente à Guaidó,  o petróleo. Então, pouco à pouco os bolivarianos ficarão sem ter como sobreviver.

Se fosse a situação que viveu Cuba, que foi bancada pela União soviética muitos anos atrás, mas a Rússia de hoje, teria muita dificuldade em fazer o mesmo com a Venezuela.

Afirmou ainda o embaixador Ricúpero, que a combinação de incompetência, sanções econômicas e a inexistência de uma potência estrangeira que banque a situação na Venezuela faz com que em um médio prazo,  Maduro tenha que deixar o poder.