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Dor de Cotovelo – Dra. Júlia Maria D’Andréa Greve

sexta-feira, maio 17, 2024
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O cotovelo é uma articulação muito importante na função do membro superior pois amplia o alcance do braço e ajuda na modulação das atividades motoras finas manuais. Pode realizar atividades de força como levantar e carregar um objeto pesado ou de resistência nas atividades de repetição no esporte e trabalho.

A dor e limitação funcional do cotovelo podem ser causadas tanto por um tendão inflamado até por fraturas ou luxações, que acontecem nos traumas mais graves. A dor pode ser intermitente ou contínua, agravar-se com os movimentos do antebraço e estar associada com dormência e formigamento na mão.

As lesões mais comuns são aquelas associadas com os esforços de repetição, que causam as alterações dos tendões e/ou compressões nervosas, mostradas na Figura 1.

Figura 1- Causas mais frequentes de dor no cotovelo. Fonte.

Epicondilite lateral

O cotovelo de tenista ou epicondilite lateral é a causa mais comum de dor no cotovelo. Está relacionada com a inflamação dos tendões extensores do punho e dedos da mão. As pessoas que usam os músculos do antebraço de forma repetitiva como os tenistas, levantadores de peso, pintores, encanadores e nos serviços domésticos são mais propensas a desenvolver epicondilite lateral.

A dor, geralmente de início insidioso, localiza-se na região lateral do cotovelo (Figura 2) e piora com as atividades que envolvem o uso dos músculos extensores do antebraço como girar uma chave, misturar massa de pão ou segurar a raquete de tênis. Também pode haver dificuldades para segurar um objeto ou durante cumprimento com aperto de mãos.

Figura 2 – Epicondilite lateral. Fonte

Epicondilite medial

Assim como a lateral, a epicondilite medial também causa desconforto ao redor do cotovelo. É conhecida como “cotovelo do golfista”. Os sintomas da epicondilite medial estão localizados no lado interno do cotovelo e são devidos à inflamação dos tendões flexores do punho e dedos (Figura 3). Pode ser desencadeada pela preensão forçada de um taco de golfe ou ferramenta pesada de forma repetitiva. Algumas vezes se associa com a fraqueza do antebraço.

Figura 3 – Epicondilite medial. Fonte.

Tratamento conservador das epicondilites

  1. Repouso relativo principalmente das atividades que desencadeiam a dor
  2. Antinflamatórios não hormonais e analgésicos
  3. Fisioterapia analgésica com calor ou frio
  4. Órteses
  5. Exercícios (Figuras 4 a 6)
  6. Infiltração com esteroides
  7. Terapia por ondas de choque
  8. Orientação ergonômica dos equipamentos esportivos e de trabalho

Figura 4 – Exercícios de flexibilidade para Epicondilite Lateral. Fonte.

 

Figura 4 – Exercícios de fortalecimento para Epicondilite Lateral. Fonte.

 

Figura 6 – Exercícios para Epicondilite Medial. Fonte.

 

Bursite do Olecrano

Bursite do olecrano é uma inflamação da bolsa, com conteúdo líquido, situada sobre a ponta óssea proeminente do cotovelo. Na bursite do olecrano ocorre desconforto, inchaço e dor na região posterior do cotovelo sobre a proeminência óssea, que pode comprometer a mobilidade da articulação (Figura 7).

dor-de-cotovelo-7.jpg Figura 7 – Bursite do Olecrano. Fonte.

 

A bursite aguda, normalmente está relacionada com gota, infecção e trauma do cotovelo. A bursite crônica se desenvolve de forma insidiosa e pode estar relacionada com traumas repetitivos ou artrite reumatoide.

Tendinite do Bíceps e Tríceps Braquial

O tendão do músculo bíceps braquial é um tecido espesso e fibroso que conecta o músculo com a parte anterior do osso do cotovelo. A tendinite distal do bíceps braquial é causada por esforços de repetição, como levantar objetos grandes e pesados com flexão do cotovelo. Causa dor na região anterior do cotovelo (Figura 8).

Figura 8 – Músculos bíceps e tríceps braquial e localização dos tendões na articulação do cotovelo. Fonte.A tendinite do tríceps braquial (Figura 8) é menos frequente que do bíceps braquial e geralmente causa dor em queimação na região posterior do cotovelo. Também está relacionada com os esforços repetitivos de extensão do cotovelo contra resistência.

As duas lesões cursam com dor aguda, com pontadas e choques e inchaço no local, com dificuldade para movimentar o cotovelo.

O tratamento é conservador e requer repouso relativo da articulação, uso de antinflamatórios não hormonais, fisioterapia e condicionamento muscular, após a fase aguda.

Síndromes de Compressão Nervosa

Síndrome do Túnel Ulnar

O nervo ulnar é responsável pela movimentação e sensibilidade do antebraço e do quarto (anelar) e quinto (mínimo) dedos. A compressão do nervo ulnar na região do cotovelo causa dor dentro da articulação e perda de sensibilidade no quarto e quintos dedos da mão, com formigamento do antebraço e perda da força de preensão (Figura 9).

Figura 9 – Síndrome do Túnel Ulnar. Fonte.

 

Síndrome do Túnel Radial

A compressão do nervo radial causa dor na região do antebraço e sensação de adormecimento do dorso da mão e antebraço e está associada com movimentos repetitivos de rotação do antebraço, como carpinteiros e mecânicos (Figura 10)

Figura 10 – Síndrome do Túnel Radial. Fonte.

Diagnóstico

Dor persistente sempre requer a avaliação médica para o diagnóstico correto com o uso de exames de imagem, quando necessários. Alguns sinais de alerta para lesões mais graves devem ser reconhecidos: dificuldade para carregar objetos, dor em repouso, dificuldade para estender ou dobrar o cotovelo, inchaço ou hematoma e presença de sinais de infecção como febre, vermelhidão e calor no local.

Recomendações

Antes de iniciar qualquer tipo de tratamento veja um médico que dará a melhor orientação para cada caso. O diagnóstico correto e precoce evita as incapacidades e persistência dos sintomas por longos períodos.

Ainda que a dor de cotovelo física seja mais fácil de tratar que a dor de cotovelo emocional, é importante que o tratamento seja o mais adequado a cada caso.

Aguardem na próxima publicação, quando falaremos sobre a fascite plantar e esporão do calcâneo.


28 de maio de 2019 – Publicado no Blog do Instituto Viva, mantido por Dr, Professora Associada da Faculdade de Medicina da USP e Diretora do Instituto Viva Saúde & Fitness. Você pode segui-la no Twitter.

Profª Drª Júlia Maria D'Andréa Greve
Profª Drª Júlia Maria D'Andréa Grevehttps://blog.institutoviva.com.br
Profª Drª Júlia Maria D’Andréa Greve, Ms.C, PhD, Professora Associada e Coordenadora do Laboratório de Estudos de Movimento do Departamento de Ortopedia e Traumatologia da Faculdade de Medicina da USP, Diretora do Instituto Viva.

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