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Marilyn Joanita, em uma Noite de São João

quarta-feira, junho 24, 2026

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Hoje é Dia de São João.

Durante toda a minha vida, esta data teve um significado especial. Além das fogueiras, dos balões que povoavam o imaginário da infância e das canções que atravessam gerações, o dia 24 de junho sempre trouxe uma alegria adicional ao nosso lar: era o aniversário de minha irmã, Marilyn Joanita.

Os anos passaram. A vida, com sua silenciosa sabedoria, foi abrindo caminhos, aproximando alguns encontros e levando outros para além do horizonte dos nossos olhos. Mas existem datas que não envelhecem. Elas permanecem intactas em algum lugar da alma, esperando apenas uma música, uma fotografia ou uma lembrança para despertar novamente.

Recentemente li uma bela reflexão do médico gaúcho J.J. Camargo sobre aquilo que chamou de “contagem regressiva do afeto”. Sua sensibilidade ao tratar das relações humanas e da passagem do tempo me levou a pensar em como atravessamos a vida acreditando, quase sempre, que haverá tempo. Tempo para um abraço adiado, para uma visita que ficou para depois, para uma conversa interrompida pela correria dos dias. Vivemos como se as pessoas que amamos estivessem permanentemente ao nosso alcance, como se o amanhã fosse uma promessa garantida.

Mas a vida ensina, com delicadeza, que o verdadeiro valor da existência não está na quantidade de anos que acumulamos, mas nos momentos que tivemos a felicidade de compartilhar. São esses momentos que resistem ao tempo. São eles que permanecem quando as fotografias envelhecem e quando as vozes se calam.

Hoje, ao contemplar uma antiga fotografia de Marilyn, vieram à memória muito mais do que sua imagem. Vieram os risos espontâneos, os encontros de família, as histórias repetidas à mesa sem que ninguém se importasse de ouvi-las novamente, as alegrias simples de uma época em que talvez não soubéssemos que estávamos construindo aquilo que um dia chamaríamos de saudade.

Foi impossível não lembrar também da canção Era Noite de São João, de Kleiton & Kledir. Há músicas que parecem ter sido escritas para acompanhar certas recordações. Elas possuem o dom de abrir portas que imaginávamos fechadas pelo tempo. Ao ouvi-la, tive a sensação de que as antigas noites juninas continuavam existindo em algum lugar, iluminadas pelas mesmas fogueiras, pelos mesmos afetos e pelas mesmas pessoas que ajudaram a construir nossa história.

Talvez seja essa a natureza mais profunda da saudade. Ela não é apenas a dor da ausência. É também a celebração de uma presença que foi tão significativa que o tempo não conseguiu apagar. Quem amamos verdadeiramente nunca desaparece por completo. Permanece nos gestos que herdamos, nas lembranças que guardamos e na influência silenciosa que continua moldando nossa caminhada.

Nesta noite de São João, escolho recordar minha irmã com o coração aquecido pela gratidão. Gratidão pelo privilégio de sua existência, pelos momentos que vivemos juntos, pelos laços de sangue e de afeto que nenhuma distância foi capaz de romper. E gratidão, sobretudo, pela certeza de que o amor continua produzindo seus frutos muito depois que os anos passam.

Por isso, ao recordar Marilyn neste Dia de São João, não celebro apenas uma lembrança. Celebro uma vida que continua produzindo ecos de ternura no coração daqueles que a amaram. Há vínculos que não parecem submetidos às leis do tempo. Permanecem vivos, silenciosos e luminosos, como se a existência prosseguisse além daquilo que os olhos alcançam. Talvez seja justamente essa a mais reconfortante das esperanças: a de que o amor verdadeiro não conhece despedidas definitivas, apenas novas formas de presença.

Feliz aniversário, Marilyn.

Nesta noite de São João, enquanto as fogueiras iluminam a terra, tua lembrança ilumina nossos corações.

José Roberto, Zézinho, de Souza Dias
Dia de São João, 24 de junho de 2026.

A Saint John’s Night and the Memory of Love

Every year, on June 24, millions of Brazilians celebrate Saint John’s Day, one of the most beloved traditions in our country. Known simply as São João, it is a festival of bonfires, music, colorful banners, traditional foods, family gatherings, and joyful remembrance.

Its origins reach back to ancient European midsummer celebrations, later blending with Christian traditions and, in Brazil, acquiring a unique character of warmth, community, and affection. In many towns and cities, the glow of bonfires illuminates the night while old songs evoke memories of childhood and family.

This year, Saint John’s Day carried a particularly personal meaning for me. June 24 was also the birthday of my sister, Marilyn Joanita.

As I reflected on her memory, I recalled a recent article by the distinguished Brazilian physician J.J. Camargo, who wrote about what he called the “countdown of affection.” His central idea is both simple and profound: we often postpone encounters with those we love because we unconsciously believe there will always be another tomorrow.

Yet life teaches otherwise.

The true wealth of our existence is not measured by the years we accumulate, but by the moments we share. Long after photographs fade and voices fall silent, affection remains. It survives in memory, gratitude, and the invisible bonds that continue to unite families across time.

On a Brazilian Saint John’s Night, surrounded by music, memories, and the soft light of bonfires, one realizes that love possesses a remarkable quality: it resists absence. It transforms loss into remembrance and remembrance into a quiet form of presence.

Perhaps that is why these celebrations remain so meaningful. They remind us that traditions are not merely cultural events. They are bridges connecting generations, preserving stories, and keeping alive the people who helped shape our lives.

As bonfires burn across Brazil on this Saint John’s Night, I find myself celebrating not only a cherished national tradition, but also the enduring memory of a beloved sister.

And in that gentle intersection between memory, gratitude, and love, one discovers that some bonds never truly fade.

José Roberto Souza Dias, PhD
José Roberto Souza Dias, PhDhttp://twoflagspost.com
Co-Fundador, editor e editor-chefe do Two Flags Post Jornalista, Mtb 0083569/SP/BR, Mestre em História Econômica e Doutor em Ciências Humanas pela Universidade de São Paulo, Doutor Honoris Causa pela Faculdade de Ciências Sociais de Florianópolis - Cesusc, Conselheiro do Movimento Nacional de Educação no Trânsito - MONATRAN, /// Founder, editor, and editor-in-chief of the Two Flags Post Journalist, Mtb 0083569/SP/BR, Master's in Economic History, and Doctorate in Humanities from the University of São Paulo, Honoris Causa Doctorate from the Faculty of Social Sciences of Florianópolis - Cesusc, Advisor to the National Movement for Traffic Education - MONATRAN.

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