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Carros Autônomos em Regimes Autoritários: Avanço Tecnológico ou Ferramenta de Controle Social…

quarta-feira, fevereiro 21, 2024

Os carros autônomos possuem uma série de benefícios, incluindo melhoria na segurança viária, redução do congestionamento do tráfego e aumento da mobilidade para indivíduos que não podem dirigir. No entanto, em governos ditatoriais ou autoritários, a introdução e operação de carros autônomos também pode apresentar riscos e desafios únicos:

Governos ditatoriais frequentemente se caracterizam por uma extensa vigilância e controle sobre seus cidadãos. Veículos automatizados, equipados com vários sensores e tecnologias de comunicação, podem ser potencialmente explorados para rastrear e monitorar os movimentos individuais, levando a um aumento da vigilância e perda de privacidade.

Em um regime fechado há o risco de que o governo possa manipular ou censurar as informações e dados transmitidos pelos veículos autônomos. Isso pode envolver a alteração de rotas de navegação, restrição de acesso a certas áreas ou manipulação de informações de tráfego em tempo real para controlar ou influenciar os movimentos e atividades dos cidadãos.

Tais veículos  dependem muito de software complexo e sistemas de comunicação, tornando-os vulneráveis a ataques de hackers e ciberataques. Em um governo autoritário, hackers podem potencialmente assumir o controle de carros autônomos para realizar atividades maliciosas, como sequestros, sabotagens ou atos terroristas, e  são  limitados os meios para  prevenir ou interromper tais ataques.

Regimes dessa natureza podem usar a tecnologia de carros autônomos para discriminar certos indivíduos ou grupos com base em fatores políticos, étnicos ou sociais. Podem, inclusive,  restringir o acesso a determinadas áreas ou serviços para indivíduos considerados indesejáveis pelo governo, limitando ainda mais a liberdade de movimento dos cidadãos.

Embora o objetivo dos veículos autônomos seja reduzir erros humanos na direção, dar muito controle aos sistemas automatizados podem limitar em demasia a ação humana, inclusive de escapar da pressão do poder público.  Em um regime ditatorial, essa perda de controle individual poderá  ser explorada pelo governo para limitar a liberdade e a capacidade de tomada de decisão dos cidadãos.

Regimes autoritários acabam por ter o  poder de regular fortemente ou até monopolizar o desenvolvimento e implantação da tecnologia de carros autônomos. Sufocam a inovação tecnológica, limitam a concorrência e impedem que a tecnologia alcance todo o seu potencial em benefício da sociedade.

self-driving-1.jpg (Image Shutterstock)

Deve-se considerar que veículos autonomos são programados para tomar decisões em frações de segundo em situações potencialmente ameaçadoras à vida. Em situações possível que tais regimes priorizem  decisões políticas e deixem de lado  considerações éticas, levando potencialmente a resultados tendenciosos ou injustos.

Podem, inclusive,  usar a nóvel tecnologia  para  reprimir a dissidência politica, acompanhar o movimento espacial de  ativistas, oponentes políticos e controlar ou impedir manifestação publicas pacificas. Isso poderá resultar  em uma maior erosão nos direitos dos cidadãos e fatalmente criará um clima de medo e insegurança social, em maior escala do que já hoje se assiste.

Importante considerar, também, que pode haver mecanismos limitados para responsabilizar o governo ou partes responsáveis por acidentes, mau funcionamento ou comportamento antiético relacionado a carros autônomos. Essa falta de responsabilização poderia levar a uma cultura de impunidade.

É importante observar que, embora esses riscos existam, isso não significa necessariamente que os carros autônomos não possam ser implantados em governos ditatoriais. Em vez disso, é necessário estabelecer considerações cuidadosas, estruturas regulatórias e diretrizes éticas para garantir que a tecnologia seja utilizada de maneira que priorize o bem-estar e os direitos dos cidadãos.

José Roberto Souza Dias, PhD
José Roberto Souza Dias, PhDhttp://twoflagspost.com
Fundador, editor e editor-chefe do Two Flags Post Jornalista, Mtb 0083569/SP/BR, Mestre em História Econômica e Doutor em Ciências Humanas pela Universidade de São Paulo, Doutor Honoris Causa pela Faculdade de Ciências Sociais de Florianópolis - Cesusc /// Founder, editor, and editor-in-chief of the Two Flags Post Journalist, Mtb 0083569/SP/BR, Master's in Economic History, and Doctorate in Humanities from the University of São Paulo, Honoris Causa Doctorate from the Faculty of Social Sciences of Florianópolis - Cesusc.

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4 COMENTÁRIOS

  1. Excelente artigo, que só demonstra o crescente embate entre avanços tecnológicos, conveniência/comodidade e a preservação da privacidade dos dados, destacando a urgente demanda por profissionais especializados em cibersegurança.

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