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100 ANOS DE NILSON FIGUEIREDO – TAINHAS EM FESTA

sábado, novembro 29, 2025

Há vidas que atravessam o tempo como se fossem pontes, firmes, sólidas, construídas com a precisão rara daqueles que conhecem a responsabilidade de erguer algo que permanece. Nilson Figueiredo pertence a essa linhagem. Não apenas viveu um século, ele o construiu, e o fez com a determinação silenciosa e elegante dos homens que falam pouco, mas realizam muito.

Mineiro de raiz, daquela Minas que guarda história, honra e memória, trouxe consigo o sotaque discreto e a firmeza das montanhas onde nasceu. Estudou, tornou-se engenheiro mecânico e colocou seu talento a serviço de um Brasil que crescia e acreditava em si. Passou pela USIMINAS, pela ELETROSUL, pelas obras monumentais como Itaipu Binacional, onde seu conhecimento ajudou a domar águas gigantescas e transformá-las em energia, progresso e soberania. Barragens como aquela não se sustentam apenas com cálculo ou concreto. Exigem caráter, convicções e respeito ao que é maior que nós. Nilson sempre teve tudo isso.

Seu coração, no entanto, nunca coube em uma única geografia. Dividiu-se, sem jamais se partir, entre as montanhas da sua Minas e as águas luminosas de Santa Catarina, onde escolheu viver grande parte de sua vida. Em Florianópolis tornou-se mais do que residente. Tornou-se referência. Amigo, conselheiro, pioneiro de Jurerê Internacional, parte viva da história da ilha e testemunha lúcida de sua transformação. Hoje, não há quem o conheça sem dizer, com um sorriso cúmplice, que talvez ele seja o mineiro mais barriga-verde que o Brasil já viu.

Casado com Dona Lourdes, sua companheira de estrada e de sonhos, formou filhos, viu nascer netos, acolheu bisnetos e fez da família sua maior obra, aquela que, diferente das barragens, não segura a água, mas multiplica o amor. E ali está ele ainda, firme, sereno, lúcido, com a leveza de quem sabe que viveu com propósito.

Agnóstico por convicção, nunca precisou de dogmas para seguir princípios. Viveu e vive como exemplo das virtudes centrais da tradição ocidental. Honestidade, disciplina, responsabilidade, liberdade, coerência e respeito foram e são os pilares que sustentam sua trajetória. Em tempos de relativismo, Nilson é fundamento. Em tempos de narrativas, é fato. Em tempos de medo, é coragem.

Democrata por essência, indignado sempre que viu injustiças, jamais se calou diante da arbitrariedade. Condenou ditaduras ontem e condena hoje. Rejeita o aprisionamento de inocentes e o aplauso a réus confessos. Para ele, a justiça não se negocia, a liberdade não se relativiza e a verdade não muda porque mudou o poder.

Nilson Figueiredo não apenas chegou aos cem anos, chegou inteiro, admirado, necessário e inspirando aqueles que entendem que envelhecer não é parar, é ensinar.

Hoje, 29 de novembro de 2025, ao erguer sua taça, em que brinda ao lado de sua Lourdes, ele não celebra apenas tempo, celebra significado.

E nós, seus amigos, vizinhos, admiradores e compatriotas, celebramos a raridade de ter entre nós um homem que honrou sua vida, sua família e seu país. Um homem cuja biografia cabe num livro, mas cabe ainda melhor num abraço.

Parabéns, Nilson.

Nilson — One Hundred Years of Life

There are lives that do not simply pass through time — they build it. Lives that stand like bridges: solid, precise, intentional, made by those who understand the responsibility of creating something meant to endure.
Nilson Figueiredo is one of those rare men. He did not merely live a century — he crafted it — with the quiet dignity of someone who speaks little, but accomplishes much.

Born in the hills of Minas Gerais, a region of Brazil known for its heritage, memory, and deep sense of identity, Nilson carries the calm tone and unshakeable essence of the mountains he came from. He studied, became a mechanical engineer, and devoted his talent to a nation that was expanding, building, and believing in its own future.

His work passed through great Brazilian institutions and milestones of national development: USIMINAS, ELETROSUL, and the monumental Itaipu Binational Hydroelectric Plant — one of the largest in the world. There, his knowledge helped tame a river of colossal force and transform it into energy, sovereignty, and progress. Structures of that scale are not held together only by mathematics or concrete. They require discipline, integrity, and respect for forces greater than ourselves. Nilson had — and still has — all of that.

Yet, his heart was never confined to one geography. It found room both in the mountains of his birthplace and in the luminous waters of Santa Catarina, where he chose to live most of his life. In Florianópolis, he became more than a resident — he became a reference point. A friend, advisor, pioneer of what would become the iconic community of Jurerê Internacional, and a witness to the transformation of the island. Those who know him often say, with a hint of affectionate humor, that he may well be the most Santa Catarina-hearted man ever born in Minas Gerais.

Together with his wife, Lourdes — his companion on the road and in life — he raised children, welcomed grandchildren and great-grandchildren, and built a family story that remains his truest masterpiece. Unlike dams, families do not hold back water — they multiply love. And there he stands today: steady, lucid, serene, and light — as someone who knows he lived with purpose.

Agnostic by conviction, he never needed dogma to live guided by values. His life embodies the principles at the core of Western civilization: honesty, discipline, responsibility, freedom, respect, and coherence. In an age of relativism, Nilson is grounding. In an age of narratives, he is fact. In an age of fear, he remains courage.

A democrat in essence, always unsettled in the face of injustice, he never stayed silent when faced with abuse of power. He condemned dictatorships then, and condemns them now. He rejects the imprisonment of innocents and the celebration of the guilty. To him, justice is not negotiable, freedom is not conditional, and truth does not change simply because the powerful do.

Nilson Figueiredo did not merely reach one hundred years — he arrived whole, admired, meaningful, and inspiring to those who understand that aging is not stopping — it is teaching.

And today, November 29, 2025, as he raises his glass beside his beloved Lourdes, he toasts not only to time — but to meaning.

We — his friends, neighbors, admirers, and fellow citizens — celebrate not only his longevity, but the rare privilege of sharing the country, the era, and the world with someone who honored his life, his family, and his nation.

His story could fill a book — but it fits just as perfectly inside a warm embrace.

Happy 100th birthday, Nilson.
A century well-lived — and deeply well-deserved.

José Roberto Souza Dias, PhD
José Roberto Souza Dias, PhDhttp://twoflagspost.com
Co-Fundador, editor e editor-chefe do Two Flags Post Jornalista, Mtb 0083569/SP/BR, Mestre em História Econômica e Doutor em Ciências Humanas pela Universidade de São Paulo, Doutor Honoris Causa pela Faculdade de Ciências Sociais de Florianópolis - Cesusc /// Founder, editor, and editor-in-chief of the Two Flags Post Journalist, Mtb 0083569/SP/BR, Master's in Economic History, and Doctorate in Humanities from the University of São Paulo, Honoris Causa Doctorate from the Faculty of Social Sciences of Florianópolis - Cesusc.

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