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Holobiontes, o invisível em nós…

domingo, abril 5, 2026

Curta, Comente e Compartilhe… O conceito de holobionte vem silenciosamente redesenhando a forma como compreendemos a vida. Durante séculos, acostumamo-nos a pensar cada ser vivo como uma unidade autônoma, delimitada por suas próprias fronteiras. Essa ideia começa agora a se dissolver diante de uma evidência cada vez mais consistente: nenhum organismo existe verdadeiramente sozinho.

O holobionte é a expressão dessa nova compreensão. Trata-se de uma unidade viva formada pelo hospedeiro e por todos os microrganismos que com ele convivem em íntima associação. Não se trata de uma simples coexistência, mas de uma interação contínua, profunda e funcional, capaz de influenciar desde os processos mais básicos até aspectos complexos da evolução.

Pesquisas conduzidas por estudiosos como Seth Bordenstein, da Universidade Vanderbilt, mostram que microrganismos simbióticos participam ativamente da vida vegetal e animal, interferindo inclusive no surgimento de novas espécies. O que antes era visto como periférico revela-se agora central.

A antiga concepção de que os microrganismos seriam essencialmente inimigos a serem combatidos já não se sustenta. Vivemos em um mundo profundamente microbiano. Mais do que isso, somos também um ambiente para esses microrganismos. Dependemos deles de forma direta e constante, ainda que muitas vezes sem perceber.

Cada organismo passa a ser entendido como o resultado de uma rede biomolecular complexa, construída em conjunto com sua microbiota. Nessas relações, frequentemente há benefícios mútuos, o que reforça a ideia de interdependência. A vida, nesse sentido, deixa de ser uma experiência isolada e passa a ser uma construção compartilhada.

A microbiota, já abordada em artigos anteriores, corresponde ao conjunto de microrganismos que habitam o corpo humano, distribuídos pela pele, pelo intestino e por outros sistemas. Sua presença é tão significativa que, em número, pode ultrapassar as próprias células humanas.

Esses microrganismos não são recém-chegados. Foram as primeiras formas de vida a surgir na Terra e permanecem até hoje em praticamente todos os ambientes, colonizando animais, plantas e existindo de forma independente na natureza. Como bem observa a pesquisadora Denise Cardoso, do Instituto de Microbiologia Paulo de Góes da UFRJ, eles são parte essencial da própria definição de vida.

Diante desse novo olhar, não apenas os seres humanos, mas também animais e plantas passam a ser compreendidos como holobiontes. Organismos complexos deixam de ser vistos como entidades isoladas e passam a ser reconhecidos como sistemas vivos integrados.

A microbiota exerce funções que só recentemente começaram a ser plenamente compreendidas. Ao estudar um organismo, já não é possível ignorar os microrganismos que o acompanham. A evolução ocorre de forma conjunta, em um processo contínuo de adaptação mútua.

Características como composição corporal, tendência ao ganho de peso, saúde mental, capacidade de adaptação ao ambiente e resistência a doenças mostram relação direta com o tipo de microbiota presente. Em contrapartida, o hospedeiro oferece abrigo e nutrientes, estabelecendo uma relação de dependência recíproca.

Essa interação não se limita ao indivíduo. Pode atravessar gerações, influenciando padrões familiares. Fatores como o tipo de parto, por exemplo, já demonstram impacto na formação inicial da microbiota de um recém-nascido.

Há, contudo, um aspecto particularmente promissor. A microbiota pode ser modulada. Estratégias como o uso de probióticos vêm sendo estudadas e aplicadas com o objetivo de promover equilíbrio e fortalecer a imunidade, abrindo novas possibilidades para a saúde ao longo da vida.

Diante desse conjunto de evidências, uma constatação se impõe com naturalidade e força. Não somos organismos isolados. Somos ecossistemas vivos. Somos, todos nós, holobiontes.

Rosa Maria Donini Souza Dias, M.SC

Holobionts: The Invisible Within Us…

Like, Comment, and Share…  The concept of the holobiontt is quietly reshaping how we understand life. For centuries, we have been accustomed to viewing each living being as a self-contained unit, defined by its own boundaries. That notion is now giving way to a growing body of evidence suggesting that no organism truly exists on its own.

A holobiont is the living unit formed by a host and all the microorganisms that live in close association with it. This is not a simple coexistence, but a continuous and deeply integrated interaction, one that influences everything from basic biological processes to the emergence of new species.

Research by scientists such as Seth Bordenstein at Vanderbilt University has shown that symbiotic microorganisms play a fundamental role in both plant and animal life, even shaping evolutionary pathways. What was once considered secondary is now understood to be central.

The old view of microorganisms as enemies to be eliminated no longer holds. We live in a profoundly microbial world. More than that, we ourselves are environments for microbes. We depend on them in ways that are constant and essential, even if often unnoticed.

Every organism can now be seen as the result of a complex biomolecular network formed together with its microbiota. These relationships are frequently mutually beneficial, reinforcing a deep interdependence. Life, in this sense, is no longer an isolated experience but a shared construction.

The microbiota, discussed in earlier articles, refers to the community of microorganisms that inhabit the human body, including the skin, the gut, and other systems. Their presence is so significant that their numbers may even exceed those of human cells.

These microorganisms are not recent arrivals. They were the first forms of life on Earth and remain present in virtually every environment, colonizing animals, plants, and existing freely in nature. As noted by Denise Cardoso of the Paulo de Góes Institute of Microbiology at UFRJ, they are essential to life as we know it.

From this perspective, not only humans but also animals and plants must be understood as holobionts. Complex organisms are no longer seen as isolated entities but as integrated living systems.

The functions of the microbiota have only recently begun to be fully recognized. Studying an organism now requires considering the microorganisms associated with it. Evolution unfolds as a joint process, shaped by continuous interaction and mutual adaptation.

Traits such as body composition, weight regulation, mental health, adaptability, and resistance to disease have all been linked to the composition of the microbiota. In return, the host provides shelter and nutrients, sustaining a relationship of reciprocal dependence.

These interactions may even extend across generations, influencing family patterns. Factors such as the mode of birth, for example, can affect how a newborn’s microbiota is initially established.

There is, however, a particularly promising dimension to this field. The microbiota can be modulated. Strategies such as the use of probiotics are being increasingly studied and applied to support immune function and restore balance, opening new paths for health throughout life.

In light of all this, one conclusion emerges with clarity. We are not isolated organisms. We are living ecosystems. We are, all of us, holobionts.

Rosa Maria Donini Souza Dias,
Rosa Maria Donini Souza Dias,http://twoflagspost.com
Rosa Maria Donini Souza Dias, MSc. Farmacêutica bioquímica e jornalista, fundadora do Two Flags Post, Editora de Ciências, Saúde, Educação e Meio Ambiente, Jornalista - Mtb 0083570/SP/BR, Pesquisadora Científica no IAL. She is a biochemist pharmacist and journalist, founder of the Two Flags Post, Editor of Sciences, Health, Education, and Environment, Journalist - Mtb 0083570/SP/BR, Scientific Researcher at IAL.

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