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O QUE NUNCA VAI EMBORA…

quinta-feira, fevereiro 12, 2026

Há fotografias que não guardam apenas pessoas guardam atmosferas inteiras. Nesta, encontro o perfume de uma época em que a família era grande e os domingos pareciam vastos como quintais de infância. Vejo nesta imagem a delicadeza de mulheres que sustentaram nossa história, vejo natais de luzes coloridas piscando devagar na sala, vejo crianças correndo antes do jantar, vejo o fim de ano com taças erguidas e sonhos que nunca se pensava medir. Vejo aniversários com mesa posta e bolo simples perfumado de afeto.

Hoje, as cadeiras ao redor da mesa são menos numerosas e o som mudou. As vozes que antes preenchiam todos os espaços agora vivem mais na lembrança do que no volume do presente. Ainda assim, nada se perdeu. A vida não se repete, apenas se transforma, e aquilo que um dia nos uniu não deixou de existir. Continua habitando a memória de quem viu, de quem sentiu, de quem ainda sorri quando escuta um antigo comentário ou quando encontra uma receita guardada num caderno antigo.

As grandes reuniões ficaram guardadas no tempo, mas o sentimento segue vivo e sereno, como brasa que aquece sem chamar atenção, como retrato antigo que conserva cor e afeto, como canto suave que repousa dentro do peito. A família não se perdeu, apenas mudou de forma, espalhada como constelação que continua brilhando suave, cada estrela à sua maneira, cada lembrança no lugar exato onde deseja morar. E quando a memória encontra silêncio e ternura ao mesmo tempo, às vezes nasce um desejo simples de aproximar de novo, nem por necessidade, mas por beleza.

Que o Natal chegue com o sabor dessas memórias, que o Ano Novo seja um sopro suave que nos permita lembrar, que os aniversários sejam mais do que datas sejam emoções guardadas no tempo. Nada precisa voltar para ser verdadeiro. Mas se um dia vier, mesmo que pequeno e despretensioso, será apenas mais um capítulo lindo do que seguimos carregando. O que foi belo continua sendo, mesmo quando silencioso.

É assim que guardo esta foto e tudo que ela diz sem palavras. Como quem acende uma vela na memória, apenas para que a luz permaneça e, se quiser, brilhe um pouco mai

José Roberto Souza Dias, PhD
José Roberto Souza Dias, PhDhttp://twoflagspost.com
Co-Fundador, editor e editor-chefe do Two Flags Post Jornalista, Mtb 0083569/SP/BR, Mestre em História Econômica e Doutor em Ciências Humanas pela Universidade de São Paulo, Doutor Honoris Causa pela Faculdade de Ciências Sociais de Florianópolis - Cesusc, Conselheiro do Movimento Nacional de Educação no Trânsito - MONATRAN, /// Founder, editor, and editor-in-chief of the Two Flags Post Journalist, Mtb 0083569/SP/BR, Master's in Economic History, and Doctorate in Humanities from the University of São Paulo, Honoris Causa Doctorate from the Faculty of Social Sciences of Florianópolis - Cesusc, Advisor to the National Movement for Traffic Education - MONATRAN.

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