Quando se iniciou a Operação Lava Jato em 2009, com a investigação dos crimes de lavagem de dinheiro que envolviam o ex-deputado José Janene e o doleiro Alberto Youssef, dificilmente alguém poderia supor que, passados quase 10 anos, o idolatrado Lula, fosse condenado em segunda instância por crimes de corrupção e lavagem de dinheiro. Hoje, o presidiário em Curitiba, aguarda a sentença de outros crimes de igual gravidade. Importante que se frise, teve todos seus direitos de defesa preservados e é um político preso, por mais que alguns de seus seguidores tentem forjar tratar-se de um preso político. As provas são contundentes!

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O país passou a ser passado a limpo por um pequeno grupo de jovens juízes, promotores, delegados e agentes da polícia e da receita federal, alguns destes com cursos e especializações nas melhores universidades do mundo. Inacreditável o que acontecia pela primeira vez, e isso não é peça de retórica, a impunidade cedia a verdade dos fatos, demonstrados em inquéritos rigorosos, processos exemplares e penas perfeitamente dosadas.

Os poderosos começaram a ir para a cadeia enquanto nas ruas a população se manifestava de forma ordeira e pacífica, apoiando o fim da corrupção, chaga endêmica da história brasileira.

A coligação partidária que permaneceria no poder por 16 anos, doze dos quais comandado monocraticamente pelo partido dos trabalhadores, foi sendo desmontada. Em um verdadeiro abraço de afogados, afundaram junto seus opositores, que de fato nunca foram, pois nos momentos decisivos preferiram se refugiar em cima do muro a verem seus próprios deslizes revelados.

Era tudo o que a sociedade brasileira precisava para cair no real, cujo desfecho elegeu Jair Messias Bolsonaro com 57,8 milhões de votos, aproximadamente 11 milhões a mais que seu adversário, uma vitória incontestável.

O programa de governo do agora presidente coincide com as principais aspirações sociais como: trabalho, renda, segurança, saúde, ensino público de qualidade sem viés ideológico, casa própria, controle de juros e da inflação, enfim proteção da família e de seus direitos e valores fundamentais.

Entretanto, um problema gravíssimo até esse momento, não foi ao menos citado, nem durante a campanha nem agora que se organiza o futuro governo: a violência no trânsito.

Os problemas brasileiros são tantos e de tal ordem que as autoridades brasileiras parecem não estabelecerem um vínculo entre esse tipo de violência, a crise econômica e a falência do sistema de saúde.

 Segundo a OMS, o Brasil registra cerca de 47 mil mortes no trânsito por ano e 400 mil pessoas ficam com algum tipo de sequela. O custo dessa epidemia é de R$ 56 bilhões. Com esse dinheiro seria possível construir 28 mil escolas ou 1.800 hospitais, tente multiplicar esse número por 16 anos dos últimos governos e veja se é possível um país se viabilizar com essa realidade.

Guerras com tamanho número de vítimas precisaram de planos de reconstrução para se reorganizarem. O pior de tudo isso é não perceber que não é um acidente, mas, ao contrário, uma doença social que pode ser perfeitamente identificada, tratada e controlada.

No passado isso já foi feito através do Programa PARE de redução de acidentes e do Grupo Executivo de Redução de Acidentes – GERAT, que por sua importância fazia parte da pauta de governo e estava instalado na Casa Civil da Presidência da Republica. Naqueles anos os acidentes encarados como uma endemia foram tratados, controlados e reduzidos.

Entretanto, com a chegado do PT ao poder, combater a violência deixou de ser prioridade no trânsito, assim como na escola. Por motivos ideológicos confundem educação no trânsito com doutrinação e fiscalização de trânsito com arrecadação, como fizeram desde 2002 com os famigerados pardais.

É perfeitamente possível vencer essa guerra. As etapas são simples e passam pela Escola, onde se deve ensinar a pratica da cidadania em todos os ambientes, inclusive no trânsito.

A sociedade está pronta para se mobilizar pela paz no trânsito. Recursos é o que não falta e estão protegidos pelo Art. 320 do Código de Trânsito, segundo o qual a receita arrecadada com a cobrança das multas de trânsito será aplicada, exclusivamente, em sinalização, engenharia de tráfego, de campo, policiamento, fiscalização e educação de trânsito.

Espera-se que o Presidente eleito, em defesa da família, priorize o combate a essa doença que erroneamente ainda é denominada de acidente de trânsito.

(*) José Roberto de Souza Dias – Doutor em Ciências Humanas e Mestre em História Econômica pela USP, criou e coordenou o Programa PARE do Ministério dos Transportes, foi Diretor do Departamento Nacional de Trânsito – Denatran, Secretário-Executivo do GERAT da Casa Civil da Presidência da República, Doutor Honoris Causa pela Faculdade de Ciências Sociais de Florianópolis – Cesusc, Two Flags Post – Publisher & Editor-in-Chief. Publicado originalmente pelo O Monatran, Novembro/2018.

 

 

 

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