A sociedade brasileira vive um momento de descanso. Seus olhos estão postos no gramado e a atenção deslocou-se para  longe.

Enquanto isso, bem perto, na praça do Três Poderes, articula-se para rescrever-se a História, antes mesmo dos fatos se transformarem em passado.

Na surdina, na calada da noite, no apagar das luzes, entre um jogo e outro do campeonato do mundo, os donos do poder se acertam e vão transformando juiz impoluto, promotor incorruptível e policial exemplar, em um bando de reacionários, coxinhas de terceira categoria  à serviço do Império.

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Ao mesmo tempo que o juiz apita no campo, o presidiário iletrado transforma-se em comentarista esportivo e por detrás das grades escreve suas matérias risíveis.

Aos poucos, o condenado vai se transformando em vítima de uma justiça que, inventou provas, colheu depoimentos à força e obrigou delações só para levar para prisão o pai dos pobres, o redentor de uma nação.

Tal qual na Venezuela, os supremos poderes se dividem e no jogo do bonzinho e do mauzinho vão soltando um por um dos condenados por corrupção. E, para não dar na vista, ora desprende a amarra de um lado, ora de outro.

A cena lembra o batedor de carteira na Praça da Sé em São Paulo que, ao roubar mais um, sai gritando pega ladrão. A impressão que fica é que os que defendem a Constituição, , se assemelham aos que correm em disparada pelo centro da Paulicéia Desvairada, como diria Mário de Andrade.

Os donos do poder, com sua soberba, dizem defender a Lava Jato enquanto nos porões e garagens se juntam para miná-la. Gente de toda laia, de diferentes tintas e camisetas, se articulam para salvar a própria pele, ou se escondem, como alguns que por instinto de sobrevivência imitam as aves que na muda não piam.

Enquanto a bola rola, os mortais ficam na frente da televisão, enquanto os que se consideram imortais soltam bandidos, fazem novos negócios, liquidam com o SUS, cortam benefícios de ativos e aposentados, aumentam ao exagero os planos de saúde, roubam até não poder mais e pensam seriamente em intervir no processo eleitoral através de um tipo de golpe branco, no velho estilo da desvairada capital.

Desta vez não será necessário nem reescrever a História, a nova versão já está sendo preparada e o vilão será o Juiz Impoluto e os verdadeiros brasileiros que à ele se juntaram.

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Imagem Oficial FIFA

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